21/01/2009 - Bola de cristal da moda

Sue Barrett, especialista em Denim, trabalha como consultora de moda para o site de pesquisa WGSN. Ajudou a moldar os jeans durante anos, trabalhando com Dolce&Gabbana, Mavi, Wrangler, Lee Cooper, H&M, Giorgio Armani e Diesel.

"Quando comecei a trabalhar como pesquisadora de tendências, há 10 anos, todos usavam calças largas com bolsos e ninguém parecia comprar jeans, pelo menos não como nos anos 70 ou 80 ou como agora. Fui contratada pela Lee e pela Wrangler para pesquisar o mercado e ajudar a trazer as pessoas de volta ao jeans", explica Barrett.

Viagens por todo o mundo permitem a Sue captar novos estilos e os modelos que as pessoas poderão usar no futuro. "Divido o meu tempo entre o escritório em Londres e a pesquisa de novos visuais em cidade trendy para o jeans como Tóquio, Estocolmo e Reykjavík. A Suécia é considerada o Tóquio da Europa em termos de cultura de rua; e os jovens adotam facilmente as novas tendências do jeans - são muito ousados".

Entre a sua melhor descoberta em termos de tendências estão os jeans skinny. "O WGSN tem falado disso desde 2001. Também previmos, desde 2004, o regresso do visual rave do início dos anos 90 (jeans skinny com cores ácidas, t-shirts largas, Day-Glo), quando os clubes noturnos começaram a recuperar o estilo e a música dos anos 90". Para o futuro dos jeans, Sue Barrett aponta os jeans de cintura alta. "Estão surgindo formas mais femininas e arredondadas. Os pontos-chave são a cintura alta, volume na altura das coxas que se afunila no tornozelo, lavagens bem claras ou pastel e o regresso da lavagem em pedra".

Do outro lado do Atlântico, em Nova York, reside Kate Schelter, pesquisadora de tendências que trabalha para Zac Posen, Vogue, Disney e Swarovski, entre outros, além de fotografar para grandes revistas de moda. Com estágios na revista W e na sede da Christian Lacroix em Paris, Schelter começou na Vogue como fotógrafa nas semanas de moda de Paris e Nova York e graças à sua perspicácia e capacidades de observação, identifica tendências de forma "intuitiva".

A sua melhor descoberta foi o look andrógino que dominou as coleções de Outono/Inverno e que, segundo afirma, é ainda uma grande tendência para a Primavera/Verão 2009. "Comecei a ver muitas garotas em Nova York com esse estilo e depois Julianne Moore usou um casaco de smoking branco de Yves Saint Laurent e um mini-vestido no baile do Costume Institute do Metropolitan Museum of Art em Maio de 2007 e percebi que tinha visto um progresso".

Como próxima grande tendência, Kate Schelter não hesita em apontar o minimalismo elegante e acrescenta: "o uso de joalharia vintage e têxteis para fazer novas peças também está se tornando uma tendência. Devemos ficar de olho no designer Alexander Wang e na joalharia House of Lavande".

Já Martin Raymond é mais objetivo. Co-fundador da Future Laboratory, uma agência de análise de tendências, tem como clientes a Louis Vuitton, Miss Selfridge, Gap e Tesco.

"No início da minha carreira vi como as tendências sociais, de moda e de consumo estavam interligadas. Analisando as gerações mais jovens - o seu ambiente, preocupações, a forma como foram criados em termos de condições econômicas, política, tecnologia e sexualidade - percebemos qual o seu impacto mais tarde nas tendências", explica. "Somos completamente objetivos no Future Laboratory, e como resultado alguns clientes não gostam do que dizemos. Quando dissemos à Gap, por exemplo, que a responsabilidade ética iria ser um tema essencial para os consumidores, ela torceu o nariz, já que a mudança nesta área envolve um alto investimento. Em 2001, também dissemos ao LVMH, que detém a Louis Vuitton, que o luxo sustentável seria uma grande questão no futuro".

Não é de estranhar que, como melhor descoberta, Martin Raymond aponte o que chama de "millennials", adolescentes nascidos no início dos anos 90 que adoram Gossip Girl e Miley Cyrus. "Há quatro anos previmos esta mentalidade do milênio - esta geração nascida na era da Internet, especialista em tecnologia, ambiciosa e de grandes consumidores. Percebemos quão poderosos iriam se tornar".

E se os jovens irão dominar no futuro mais longínquo, no futuro mais próximo, a próxima grande tendência é a "Womenomics". "Até 2020, 53% dos milionários serão mulheres, o que vai ter um impacto enorme nos serviços do luxo. Vemos isso acontecer agora com o crescimento dos serviços de entrega de luxo de moda e alimentação em casa", explica Raymond. Além disso, ele aponta que a cultura do concierge vai se expandir para todos os setores. "As pessoas vão até esperar um serviço mais personalizado da Primark".

E como última surpresa, Martin Raymond acredita que apesar da tendência atual, nos próximos anos haverá um afastamento do orgânico para tecidos sintéticos. "As pessoas vão perceber que o algodão orgânico também prejudica o ambiente na sua produção e vão aderir a materiais que incorporam tecnologia de ponta", completa Raymond.

FONTE: Portugal Têxtil

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