11/02/2009 - As grandes questões do vestuário - Parte 2

"Qual o efeito da desaceleração nos mercados ocidentais?", "Qual o efeito da quebra nos custos das empresas?" e "Qual o efeito da aplicação de novas medidas protecionistas?" são algumas das grandes questões que centralizam as preocupações do setor

Nesta segunda parte da matéria, será retomada a análise da primeira questão de base, relacionado ao abrandamento dos mercados ocidentais de realizada por Mike Flanagan, diretor-executivo da Clothesource Sourcing Intelligence.

Os economistas chamam isto de problema de liquidez: independentemente das vendas melhorarem ou não, o número de fornecedores nos países em desenvolvimento que estão sem dinheiro vai continuar crescendo. Este ano vai certamente trazer diversas falências entre alguns compradores ocidentais e qualquer recuperação conseguida no final de 2008 vai chegar um pouco tarde para salvar qualquer um dos fornecedores atingidos por estas falências.

Será que a quebra nos custos das empresas representa roupas mais baratas?
Praticamente em todos os lugares do mundo, todos os custos de entrada com os quais as fábricas têm de lidar - energia, matérias-primas, transporte - estão caindo mais rapidamente do que nunca. Mas esta evolução é irrelevante quando:

Não se podem diminuir os salários. No entanto, algumas pressões salariais poderão aliviar. As fábricas romenas, por exemplo, não têm sido capazes de conseguir trabalhadores, pois as pessoas que viviam nas proximidades imigraram para países europeus com melhores salários. Existem agora sinais de que a recessão está os enviando para casa e o recrutamento se torna mais fácil.

As taxas de juro reais, cobradas pelos bancos às empresas, não diminuíram. Mesmo com as taxas oficiais nos países ricos perto do zero, os bancos de todo o mundo continuam cobrando taxas mais elevadas para financiar o capital de maneio e as operações comerciais do que há um ano

Os mercados monetários estão um caos. Embora a maioria das divisas dos países fornecedores esteja em queda em relação ao dólar e ao iene, estava recentemente apreciando em relação ao euro e à libra britânica, enquanto que o euro está agora se recuperando.

Então, como sempre, os preços vão variar significativamente. Os fornecedores que conseguirem se auto-financiar, melhorar a sua produtividade ou conseguir vantagens cambiais vão ficar mais baratos. Especialmente se forem chineses. Muitos outros, independentemente do que façam, vão parecer muito caros aos olhos dos varejistas.

E em relação ao protecionismo dos EUA e da UE?

Este não será provavelmente um problema tão grande como muitas pessoas consideram, segundo Flanagan. Independente de quem estiver na Casa Branca, os responsáveis do comércio dos EUA - tal como os seus parceiros da UE - têm que equilibrar tudo o que possa influenciar o comércio têxtil com a China, com base em diversos fatores:

Existe a mesma quantidade de eleitores que querem mais vendas da Boeing ou da Airbus para a China, como existem os que querem a proteção dos empregos têxteis em Toscana ou na Carolina do Norte e do Sul.

Manter os preços baixos no consumidor nunca prejudicou um político ocidental.

Adotar medidas de proteção comercial, nomeadamente medidas antidumping, é um processo moroso e burocrático, tanto na UE como nos EUA.

Sejam quais forem as denúncias que as pessoas possam fazer contra os chineses, tornar a vida mais difícil para a China não torna a vida mais fácil para os americanos ou para os europeus, apenas reencaminha as encomendas para o Bangladesh ou para o Camboja.

Os EUA devem mais dinheiro à China do que alguma vez uma nação deveu a outra. Desde sempre.

Estas considerações não se aplicam a muitos países pobres. Os responsáveis governamentais da China, Índia e Indonésia estavam entre os 20 países que no dia 16 de Novembro anunciaram que não iriam aprovar quaisquer novas medidas que injustamente estimulassem o seu próprio comércio à custa de outros países. Quando os responsáveis governamentais dos três países regressaram, encontraram uma intensa pressão pública a favor do protecionismo. E estes responsáveis enfrentam pressões políticas inimagináveis para os europeus ou os americanos.

Na terceira parte deste artigo será apresentado a análise desta terceira questão feita pelo diretor-executivo da Clothesource Sourcing Intelligence, que divulga ainda as principais conclusões relativas a este novo ano para o setor do vestuário.

Fonte: www.guiajeanswear.com.br

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