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11/02/2009 - As grandes questões do vestuário - Parte 1
Em 2009, muitas são as dúvidas e preocupações que assolam os players do setor. Questões como os custos, o abrandamento e protecionismo dos mercados podem influenciar o destino de varejistas e marcas, bem como dos seus fornecedores
Quais são as grandes questões do setor de vestuário para 2009? Entre a imensidão de artigos que antevêem as perspectivas do comércio e dos negócios para o ano atual, três questões dominam a atenção do setor: Será que alguém vai conseguir parar o abrandamento nos mercados ocidentais de vestuário? Será que a quebra nos custos das empresas representa roupas mais baratas? E em relação ao protecionismo dos EUA e da UE? Mike Flanagan, diretor-executivo da Clothesource Sourcing Intelligence, questiona-se sobre a importância destas questões.
Será que alguém vai conseguir parar o abrandamento nos mercados ocidentais de vestuário? Será que o novo presidente norte-americano vai ser capaz de estimular a procura nos EUA? E será que os outros países ricos vão crescer ou continuar em declínio?
Estas questões preocupam evidentemente os departamentos de marketing de muitos varejistas e marcas ocidentais. Mas será que prejudicam muito o fornecimento? Não tanto como o esperado, segundo Flanagan.
O mercado mundial de vestuário cresceu efetivamente no ano passado, em número de peças e, por conseqüência, nos volumes que as fábricas produziram. Esta evolução resulta das vendas na China, de longe o maior mercado de vestuário do mundo, medidas pelo número de peças compradas, continuarem em alta e a procura por parte dos países desenvolvidos, medida pelas vendas no varejo, ter mantido o crescimento até Outubro de 2008.
Os dados parecem indicar que o mundo comprou cerca de 10% mais vestuário em 2008 do que no ano anterior. No entanto, em todo o mundo foi verificado um massacre entre os fornecedores de vestuário. Os relatos incluem a perda de 700.000 postos de trabalho no setor têxtil e vestuário na Índia; dezenas de coreanos que fecharam as suas fábricas vietnamitas e regressaram a casa sem pagar os impostos pendentes; e os preços chineses estão agora a cair, apesar da subida registrada no início de 2008.
Mas então, por que tudo isto? O diretor-executivo da Clothesource Sourcing Intelligence aponta quatro razões, todas incidirem mais ou menos ao mesmo tempo:
1. Muitos fornecedores de vestuário estavam seriamente enfraquecidos em termos financeiros, mesmo antes da quebra na procura ocidental. Os fornecedores chineses tinham reduzido as suas margens para manter os clientes norte-americanos quando o dólar caiu e os fornecedores indianos tinham sofrido grandes perdas com os derivados Forex que compraram com o objetivo de se precaverem contra a apreciação da Rupia em relação ao dólar.
A procura de alguns compradores - como muitos japoneses - caiu muito antes da quebra na procura dos EUA, prejudicando os seus fornecedores. E os fornecedores já tinham sofrido com a redução do inventário que muitos compradores norte-americanos fizeram em finais de 2007.
2. Com o aumento do receio nos EUA, diversos compradores desabaram, deixando enormes dívidas. Outros, em pânico, começaram a encontrar todo o tipo de desculpas cabíveis para cancelar encomendas. A chacina entre muitos fornecedores foi como introduzir o vírus da cólera numa população faminta: os mais fracos caíram.
3. Todo este ciclo foi depois intensificado, à medida que as instituições de crédito ficavam cada vez mais nervosas em relação aos empréstimos realizados aos fornecedores de vestuário.
4. Então, os compradores debilitados sentiram-se ainda mais pressionados, enquanto que alguns se saíram surpreendentemente bem.
Depois das vendas no Japão caírem 10% ano após ano, a Uniqlo anunciou em Outubro um aumento de 32% nas vendas no varejo (para igual número de lojas), como resultado da acentuada inovação do produto e dos esforços de marketing.
Nos EUA, os varejistas multimarca registraram crescimentos nas vendas anuais, mesmo em Novembro, resultado dos consumidores concluírem que tinham de comprar muita roupa (o Inverno aparenta ser muito frio no hemisfério Norte) e dos varejistas venderem o vestuário muito barato.
Na segunda parte deste artigo, continuamos a analisar as questões que podem afetar o setor de vestuário ao longo de 2009.
Fonte: www.guiajeanswear.com.br
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